quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Os últimos fôlegos do fim de semestre

Os eventos derradeiros que acontecem pela UFC nesse penoso fim de semestre!


MOSTRA PERCURSOS


Exibição dos filmes produzidos pelos alunos do curso de Cinema e Audiovisual da UFC.
Facebook: https://www.facebook.com/pages/Mostra-Percursos/241954429202585
Site: http://www.percursos.ufc.br/


MOSTRA OUTROS CINEMAS

Exibição de filmes nos dias 28, 29 e 30 de novembro.





CALOURADA DA HISTÓRIA


Sexta-feira, no estacionamento do CH 2 da UFC!
Horário: 18h
Entrada: 1kg de alimento não perecível
Site:http://caftace.blogspot.com/2011/11/calourada-da-historia-ufc-20112.html




segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Sobre os "finados" emos...

Compartilho com vocês, agora, descobertas que me fazer realmente refletir sobre como a música e as mudanças sociais andam juntas, mudando nessa globalização que nos cerca.

O fato é que estava eu, pesquisando sobre os finados emos para uma disciplina na faculdade quando descubro que eles vão além, muito além, de uma simples modinha dos anos 2000.

O emo tem suas raízes do punk nos anos 80 e, antes de significar franjas enormes, roupas escuras com desenhos e all stars coloridos, eram apenas um estilo de música, o emocore, que unia o som agressivo do punk e do hardcore a letras introspectivas e poéticas. Na época, o emo era encabeçado pelas bandas Embrace e Rites of Spring (percebam como é totalmente diferente do som que conhecemos hoje).




O que aconteceu foi que, com o passar do tempo, o emo foi sendo ressignificado e apropriado, quer seja na música, com o surgimento de bandas nos anos 2000 como My Chemical Romance, quer seja na socieade, com o surgimento de tribos que passaram a representar o estilo esteriotipado que já conhecemos (franjas, all stars, homossexualismo, lágrimas, e tudo mais).




Mas vale ressaltar que, muito mais que uma necessidade de defender um estilo de vida, os emos são um rótulo resultado da parceria entre o marketing da mídia e o senso comum. É o que mostra o especial MTV sobre a história do emo no Brasil.



E a influência da mídia nas construções e desconstruções musicais não para. Os coloridos e o chamado happy rock, cujos expoentes, poderíamos dizer, são Restart e Cine, é mostrado na mídia como o fim da fase emo e o surgimento de uma nova tendência de música feliz para a adolescência quando, na verdade, é apenas mais uma moda, estilo e estratégia de marketing que ,não necessariamente, veio do emo.

Se os emos tal qual como os conhecemos, morreram, não foi pelo surgimento dos coloridos, e sim por terem sido um mero rótulo midiático e social sem consistência, que se distanciou de suas raízes, e que teria de dar lugar a uma nova moda.




sábado, 26 de novembro de 2011

Ode a Solidão.




Ode: s.f. Poema de comprimento médio que, em geral, expressa exaltado louvor.

Solidão: s.f Estado de quem está só, retirado do mundo; isolamento: os encantos da solidão. / Ermo, lugar despovoado e não frequentado pelas pessoas: retirar-se na solidão. / Isolamento moral, interiorização: a solidão do espírito.

Não farei poema ou poesia aqui, mas exaltarei a solidão, como o título já nos remete. Não devem ser poucos os que devem estar pensando, esse cara é um louco, um misantropo, um anti-social, um emo ou algo que o valha. Não que eu não goste da companhia dos meus amigos, muito pelo contrário. Deem-me uma chance de explicar meu modo de ver as coisas, é só o que peço. Depois, como diria o meu amigo Filipe, podem jogar as pedras.

Algumas acontecimentos recentes e umas conversas relaxadas por ai me fizeram pensar sobre a solidão, o ato de se ficar sozinho, sem mais ninguém por perto, ter somente você como companhia. Primeiro foi quando estava conversando sobre o fato de se comer ou ir ao cinema sozinho. Fui um dos poucos, ou o único, que disse que não tinha problema em comer sozinho em lugares onde geralmente se precisa de uma companhia. No entanto, também o único, falei que não gostava de ir ao cinema sozinho, paradigma esse que acabei por quebrar semana passada, depois de muito tempo.

Fui ver, em plena quarta-feira, a primeira sessão do Dragão do Mar o filme O Palhaço do Selton Melo, muito bom, por sinal. Já estava por lá mesmo, tinha ido pesquisar na biblioteca pública Menezes Pimentel, um lugar que devia ser mais frequentado pelas pessoas. Pensei que ia odiar, como acontecera da última vez que tentei. Para a minha própria surpresa, eu adorei ficar sozinho vendo o filme na sala praticamente vazia, ter momentos de esquizofrenia e rir-se comigo mesmo.

O que também me impeliu a refletir sobre o assunto foi ter terminado de ler ontem na madrugada Todos os Nomes do José Saramago. Ainda estou em crise, relevem. Basicamente, é história de um auxiliar de escriturário que trabalha da Conservatória do Registro Geral, um homem muito solitário, sem amigos, família ou qualquer coisa que se aproxime disso. Talvez o que se aproxime mais disso seja o teto da sua casa, no qual diálogos filosóficos e existenciais são travados pelos dois. Um dia encontra o nome de uma mulher por acaso noa registros e começa procurar, beirando a obsessão, toda a sua história de vida. Quer encontrá-la de qualquer maneira. Acaba, sem saber, apaixonado por uma pessoa que nunca trocara nenhuma palavra e nunca vira antes.

A solidão não é tão ruim assim, ela pode ser muito positiva e construtiva. É um momento interessante para descobrir meandros do nosso próprio ser que ainda não havíamos percorrido. Não entendo por que as pessoas evitam tanto de ficarem sozinhas, eu procuro a solidão. Às vezes ela me conforta mais do que a multidão. Muitas pessoas são rodeadas por outras e mesmo assim se sentem sozinhas. Como explicar esse fato? Já eu, mesmo tendo esses acessos de ermitão da montanha de tempos em tempos, nunca me sinto só, porque sei que tenho amigos verdadeiros que não se esquecem de mim, apesar de eu não ser lá essas coisas como amigo.

O que quero dizer é que, aproveitem os seus momentos sozinhos, não fiquem em pânico ou apavorados. Usem esse tempo para se conhecer melhor. Ouçam o inspirar e o expirar de vocês. Falem sozinho também, isso nunca matou ninguém. Permitam-se uma viagem a suas essências, e para isso é preciso de silêncio e um pouco de solidão. Há muito o que se desvelar de nós próprios.

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Aos leitores que deve estar se perguntando: esse cara não é o que escreve besteiras sobre filmes? Sim, ele é mesmo, só que estamos na VIRADINHA, por isso o poste foi diferente. Saiba o que é.


quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Illustrated Sports




Walter Iooss e sua família

“I’ve always felt the moment. People call me lucky, and luck is a wonderful attribute. But it’s more – it’s a sense somehow. It’s inexplicable, it happens. It’s a feeling and you just move into that direction. Someone once said that wherever I am is the perfect picture. I didn’t like the way it sounded but I believe that. It’s not that I’m positive of it deep down inside, it’s that I have to believe it. When you make that decision – ‘This is the place to go’ – you’ve got to live with it. There’s no alternative” – Walter Iooss (click no nome e conheça o site de Iooss)

Nascido em Temple, no estado do Texas, desde pequeno Walter Iooss foi consumido pela emoção dos esportes e aos cinco anos de idade mudou-se para New Jersey, onde teve a oportunidade de acompanhar alguns dos maiores times das grandes ligas americanas, Jets, Knicks, Giants. Iooss é antes de tudo apaixonado por esportes.

Aos 16, após concluir o High School (ensino médio), decidiu se tornar fotógrafo profissional e escolheu especializar-se em, logicamente, esportes. É então que Iooss começa sua carreira como fotógrafo da revista americana Sports IIlustrated, trabalho pelo qual é mais conhecido até hoje, tendo seu trabalho reproduzido como capa da revista mais 300 vezes. Iooss ficou muito famoso também pelos ensaios que fez com grandes estrelas do mundo do esporte, Michael Jordan é um dos nomes que preenche essa lista.

E sua paixão pela fotografia nos faz lembrar das palavras de outro grande artistas das câmeras, Henri Cartier-Bresson: “To take photographs is to hold one’s breath when all faculties converge in the face of fleeing reality… it is putting one’s head, one’s eye, and one’s heart on the same axis". Muito por isso, Walter Iooss é considerado um dos melhores e por alguns até, o melhor fotografo de esportes dos dias atuais.

Mas Walter também ficou conhecido por suas fotos de modelos em trajes de banho, fotografando até mesmo a modelo brasileira Danilla Sarahyba.


Porque eu estou falando de fotografia? É a Semana da Viradinha (leia mais).

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Debate, palestra e mesa redonda

Novembro está acabando, mas ainda tem muito a oferecer. Principalmente se você gosta de um bom debate, palestra ou mesa redonda. E a Universidade Federal do Ceará será o palco dos três que eu escolhi para  comentar. Outra coincidência: o auditório. Todos serão realizados no auditório Raquel de Queiroz.

No dia 24, às 9h, terá um "Aulão Debate", cujo tema será "Educação como produto - qual a melhor forma de vender?". Os convidados serão André Nogueira (Flex comunicação), Pádua Sampaio (criação da propaganda do colégio Provecto) e, a professora de comunicação Inês Vitorino. O debate faz parte da campanha realizada pelos alunos do 6º semestre de Publicidade e Propaganda da UFC, na disciplina  de Laboratório de Publicidade e Propagada.


No mesmo dia, à noite, teremos o último debate dos Debates Universitários O Povo, que terá como tema "Revolução digital e o novo ecossistema da mídia" e contará com a presença do professor Rosental  Calmon Alves. Ele será realizado às 19h.
Esse é o quarto debate desse semestre - já houve sobre "Infografia", "Novas profissões" e "O marketing na era digital", os quais foram realizadas na FA7, IFCE e FIC, respectivamente. A proposta do projeto é levar profissionais das mais diversas áreas e levar reflexões a cerca das alterações nas exigência do mercado.


Por último, e não menos importante, acontecerá na próxima semana. É a mesa redonda sobre "Violência Urbana e Comunicação", último ciclo da ação Palavras de Liberdade promovida pela Liga Experimental de Comunicação da UFC. Os convidados serão Igor Monteiro (Laboratório de Estudos sobre a Violência), Givanildo Manuel da Silva (Movimento Tribunal Popular) e Thiago Braga (O Povo). A discussão da mesa redonda visa discutir "de onde vem o medo da sociedade" e acontecerá no dia 30 às 18h.

domingo, 20 de novembro de 2011

É tão verdade que parece mentira



Imagine um jornalismo sem venerar os grandes nomes, sem pautar temas que já aparecem na mídia que já não nos comovem por mais trágicos que pareçam ser. Imagine, então, um livro que mostre a realidade que, de tão dura e dramática, pareça literatura. É isso o que se pode encontrar na obra "A vida que ninguém vê", da jornalista Eliane Brum, vencedora do Prêmio Jabuti 2007 na categoria "Reportagem"



Com textos que parecem transitar entre a crônica e a reportagem, Eliane Brum escolhe personagens e neles busca o universal e o singular de grandes histórias que muito mais informam sobre a vida que as informações factuais que vemos todos os dias nos jornais. Tudo isso a autora faz guiada pela máxima em suas próprias palavras: "não existem vidas comuns, só olhares domesticados".

Compatilho com vocês trechos do texto "Enterro de Pobre", um dos mais densos e expressivos do livro:

"Não há nada mais triste do que enterro de pobre. Porque o pobre começa a ser enterrado em vida. Quem diz é Antonio, um homem esculpido pelo barro de uma humildade mais antiga do que ele. Um homem que tem vergonha até de falar e, quando fala, teme falar alto demais. E quando levanta os olhos, tem medo de ofender o rosto do patrão apenas pela ousadia de erguê-los. Quem diz é Antonio Antunes. Ele acabara de sepultar o caixão do filho por um momento, mas a funcionária que foi buscar a criança na geladeira não deixou. Antonio tinha comprado uma roupinha de sete reais no centro de Porto Alegre para que o filho não fosse sepultado nu como um rebento de bicho. Mas não pôde vesti-lo. Restou a Antonio o caixãozinho branco que ninou nos braços até a cova número 2026 do Campo Santo do Cemitério da Santa Casa.(...)

Nada se encerrou para Antonio porque ele sabe que em breve estará de volta. E será tudo como foi. Como sempre foi, na morte como na vida. Deixa para trás o filho sem nome, sepultado na cova rasa, sem padre e sem flor. Porque a cova de pobre tem menos de sete palmos, que é para facilitar o despejo do corpo quando vencer os três anos de prazo. Então é preciso dar lugar a outro filho pequeno de pobre por mais três anos. E assim sucessivamente há 500 anos.

Debaixo de cada uma das mais de duas mil cruzes semeandas na terra fofa do Campo Santo há uma sina como a de Antonio. Para entender o resto da história que ainda virá é preciso conhecer o que é a morte do pobre. É necessário compreender que a maior diferença entre a morte do pobre e a do rico não é a solidão de um e a multidão do outro, a ausência de flores de um e o fausto do outro, a madeira ordinária do caixão de um e o cedro do outro. Não é nem pela ligeireza de um e a lerdeza do outro.

A diferença maior é que o enterro de pobre é triste menos pela morte e mais pela vida."

[26 de junho de 1999]

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Céu pra nós.



O roteiro é uma narrativa da vida de Hermila, uma mulher que volta à sua cidade natal, Iguatu, e ali, a sua luta pela saída. O termo “Céu”, conforme Aïnouz, faz referência ao termo do dicionário Aurélio: lugar onde se possa ser feliz. O Céu que Hermila busca é a calmaria, o pertencer, fora do seu constante paradoxo e estranhamento.

O termo “Céu” pode permear entre o significado cristão de objetivo final, de fim feliz de todas as vidas. O sagrado, a fuga, o pertencer de Hermila, através de Suely que é o nome que se auto-intitula na venda da “noite no paraíso”, a rifa de uma noite com ela que a será a passagem para fora daquela realidade.


Hermila se destaca no enquadramento de negar uma estereotipagem na sociedade a qual está inserida. “Quero ser puta não, não quero ser porra nenhuma!” é a frase que mais expressa a falta de necessidade de conceituar o que pretende do ‘ser’. Hermila existe, e a sua própria existência a sufoca, permeando-a para um viver fugitivo, no seu não-pertencimento.

Seguiu seu coração, mudou-se para São Paulo com um amor, e de lá volta, com a esperança de formar um lar. Quando tal esperança lhe é arrancada, Hermila desloca-se dela mesma. Seu caráter nômade e de natureza errante é, então, revelado.

A estética das cenas expressa certa restrição do movimento. Apesar das tomadas abertas, com o céu explicitado, Hermila está presa, em sua busca da saída mais próxima daquela realidade. Os sons naturais e a trilha sonora permeados pela música popular local, cheia de significados para Hermila, permitem um realismo tátil dos acontecimentos. A moça encontra-se deslocada, que a principio, pode parecer destoante, mas nota-se que este é o objetivo da personagem. Hermila destoa de tudo ao seu redor, destoa até de si mesma, o que é necessário para o entendimento da sua falta de pertencimento. A esperança que a trás de volta a onde nasceu, de construir uma vida com Mateus, seu marido, nome que seu filho carrega, é destruída com a não-volta do mesmo. Então, há a decisão do destino. Ir para o lugar mais longe dali, não importa o destino e sim a saída rápida e necessária. Na cena em que Hermila pergunta em um guichê na rodoviária da cidade: “Qual a passagem que a senhora tem pra mais longe? [...] O lugar mais longe daqui?”, denota que para ela o que o importa não é um lugar específico, planos, objetivos, há somente a imediata preocupação de abandonar aquela situação.

Essa pulsão de peregrinação de Hermila é a busca de algo além do que lhe foi dado, em mover-se para outra relação com a sua realidade e com o mundo, a não aceitação da permanência na realidade que lhe foi concedida. A procura pela fugacidade, pela mudança, de que o novo sempre será melhor do que está no presente. Hermila é uma figura de errância, de não se admitir a não lutar por uma vida diferente.

Iguatu, segundo o próprio Karim, foi a escolha por ser uma cidade de passagem. Nota-se isso no posto, onde caminhoneiros sempre vem e vão. Durante o filme, alguns elementos saem do lugar, e Hermila continua presa no ambiente. Passa o trem, que evidencia o desconforto da personagem que caminha ao lado, os caminhões, as motos, e ela permanece oprimida, cercada por uma estática vida, e pelo desespero de não se encontrar em movimento.


Na cena final, apesar do sorriso no rosto de Hermila, não há solução dos problemas, o final, sem fim de Hermila, é a fuga. A esperança do sorriso é o que ainda a mantém em pé. Então, há a certeza que Hermila desafina da sua realidade, assim como muitos de nós, e assim ela representa um faz de conta. Se não há Céu para Suely, não haverá céu para nós. 

Aqui o trailler:


Aqui o final que acho lindissimo:



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Mas não é o Thiago que fala sobre filmes? E a Taís não fala é sobre fotos, não?
É que, nessas duas semanas, tá tudo trocado!