segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Trilha Sonora


Meu pai, que estava passando por trás de mim, teve daquelas coisas que posso dizer que saiu do caminho que estava seguindo e se inclinou se apoiando nas costas da cadeira em que eu estava apoiado. Eu estava escutando Arnaldo Antunes pelo computador.


Ele disse, balbuciando mesmo, Esse aí sabe o que tá falando. E ficou ali mais um tempão, sem nem mesmo falar comigo. Acho que sempre foi um pouco difícil compartilhar os mesmos gostos com o pai. Eu tava me sentindo muito vazio, e aquela música me reconfortava dando algo para colocar naquele vazio. Esperança, talvez - ou um monte de merda. Interessante era o meu pai escutando isso. Agora eu estou pensando, porra, será mesmo que a Elis tá certa? A gente e os nossos pais não é assim tão diferente?


Um dia parei para colocar num papel as coisas que eu queria realizar em... não estabeleci um prazo. Prazos enganam. A pressa em resolver tudo dentro do prazo, principalmente naquilo que tange à própria vida acaba dando lugar á própria realização do projeto. O tempo faz esquecer o que nos trouxe até aqui. Prometi a mim mesmo saber tudo o que conseguiria estudando tudo em Física, ler tudo o que eu podia de Machado de Assis e pra fechar com chave de ouro, viver uma paixão enlouquecedora.

Eu realmente não sabia muito bem o que fazer. E isso me pareceu o mais lógico, sabe? A gente sempre sabe que sabe um pouquinho, mas tudo o que a gente vê na rua é a gente cometendo o mesmo erro, como se não soubesse de nada. Fui começando, então, tentando saber de alguma coisa.


No final, acabei cursando Engenharia, comprando logo a Antologia de Machado de Assis, porque todos aqueles livros pequenos juntavam muita poeira, é sempre melhor ter antologias, ficam mais bonitinhas na estante. A vida toda de um autor em 4 volumes. É bem bonito de se ver. Em relação ao terceiro ponto, bem, até hoje procuro minha sanidade pelas esquinas.
É aquela coisa, sabe? Por um momento aparece uma sensação que você chegou num ponto de uma estrada sem saber mais ou menos como foi parar lá. De repente estava, quando deu por si, já tava um pouco mudado, num lugar diferente.


Sabe... quando finalmente sabia resolver tudo nos livros de física do ensino médio, quando só faltava os contos machadianos pra ler, e estava começando a avaliar se era realmente amor o que eu sentia pela guria... é, acho que não tenho mais muita coisa o que fazer.


Eu desisti de Engenharia. Até hoje não consegui terminar de ler Machado de Assis. Nunca mais vi a menina. Até a vejo todo dia, mas agora é outra.
Comecei a fazer Jornalismo mais por inércia do que por necessidade, conheci um autor chamado James Joyce e no meio desses novos projetos de meia-tigela, não dou mais responsabilidades aos sentimentos - quase um desprojeto, mas não deixa de ser, né?
Sempre me vem à cabeça, agora não uma canção, mas um trecho de um autor.

"Não existe meio de verificar qual é a boa decisão, pois não existe termo de  comparação. Tudo é vivido pela primeira vez e sem preparação. Como se um ator entrasse em cena sem nunca ter ensaiado. Mas o que pode valer a vida, se o primeiro ensaio da vida já é a própria vida? É isso que faz com que a vida pareça sempre um esboço. No entanto, mesmo "esboço" não é a palavra certa porque um esboço é sempre um projeto de alguma coisa, a preparação de um quadro, ao passo que o esboço que é a nossa vida não é o esboço de nada, é um esboço sem quadro."
    - A Insustentável Leveza do Ser

Lindo, não?

Eu nunca mais me atrevi a fazer projetos claros. Apesar dos projetos terem me dado a oportunidade de saber de coisas que hoje me fazem parecer inteligente, não vale muita coisa, sabe? Todos esse livros e essas mágoas de mulheres dão muito assunto para conversar em bares e em paradas de ônibus.  E nada mais.
Desde que não se ache que já se viveu tudo o que se tinha pra viver e use isso para achar que já sabe tudo sobre como viver pelo resto da vida, pode-se ficar tranqüilo.
hahahahaahaha Mas quem fica tranqüilo? Tentar explicar como é a vida baseado nas míseras coisas que conseguimos fazer faz parte. Não sei mais o que falar.

O resto da vida está todo aí, mas parece que perdemos todo o ânimo na realização do último projeto. Eu acho que perdi, da minha parte. Estou me sentindo sem forças. Deixe-me sozinho por agora. Preciso beber um pouco e escutar uma boa música.


Amanhã pela manhã, num acesso de coragem, vou fazer algo diferente, vou embora!


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Certo, segunda-feira é o dia do Murilo, nera não? Pois, para quem não se lembra, ou ainda quem não viu, oia o que foi que a gente inventou de fazer!

sábado, 12 de novembro de 2011

When you have to shoot, shoot, dont talk!


Devo confessar que não sou um grande conhecedor de filmes westerns ou de faroeste, ou como queiram chamar, na verdade estou sendo bem eufêmico, a verdade é que sei praticamente nada. Porém, depois de assistir The Good, the bad and the ugly ( Trê homens em conflito) sinto que vou entrar em um frenesi para assistir filmes westerns, principalmente os do senhor Sergio Leone.

Sergio Leone foi um diretor italiano que popularizou mundialmente o gênero western spaghetti, só um minuto eu explico. Western Spaghetti era um gênero de filmes produzidos na Itália, em uma região chamada Almería que se parecia muito com velho oeste americano. Uma maneira do cinema europeu faturar em cima da popularidade dos filmes de bang-bang americanos. Apesar desse objetivo bem comercial gênios como Sergio Leone se sobressaem.

The good, the bad and the ugly, prefiro chamar assim a tradução é muito infame, faz parte da Trilogia dos Dólares. No qual Por um Punhado de Dólares (1964) é o primeiro, Por uns Dólares a Mais (1965) é o segundo e logo em seguida em 1966 vem o filme que já estou falando. Clint Eastwood ainda novato na carreira vai estrear as três películas.

A história do filme se desenlaça em torno de três personagens principais. O bom não tem nome e é conhecido como Blondie (loiro) feito pelo ator Clint Eastwood, ele vive do dinheiro da recompensa de bandidos procurados. O mau é conhecido como Angel's Eyes (olhos de anjo) feito pelo ator Lee Van Cleef e é um matador de aluguel sanguinário. O feio é chamado de Tuco encenado por Eli Wallach, um assaltante-falsificador-beberrão-polígamo-carismático vagabundo. A primeira vista não parecem ter muito coisa em comum, mas 2000 mil dólares enterrado em um cemitério vai unir a trajetória desses três pistoleiros.

Se você espera ver um mocinho e um vilão nos moldes clássicos, está perdendo o seu tempo. O filme explora muito bem a relação de pessoas que vivendo em uma meio inóspito e violento, um lugar onde os fracos não tem vez, têm de sobreviver a todo custo. A filme também é repleto de frases de efeito como eu a que já usei para o título e outras mais.

A trilha sonora também é um algo a mais. Quem não sabe assobiar a música clássica dos filmes de faroeste, mesmo sem saber de que filme ele pertence? Feita pelo compositor, arranjador e maestro Ennio Morricone, dá um carga dramática muito maior. Vou colocar o link abaixo para refrescar a memória de algum leitor mais esquecido.

Tema do Filme




Vai a versão do Metallica de bônus também para vocês!


O que também me chamou atenção foram os closes nos rostos dos personagens, tentando focar as suas expressões ao máximo e criando ambientes de tensão. O ápice é na última cena do filme no qual os três vão ter o confronto final e ouso dizer que uma das cenas mais lindas do filme. Não tem como descrever, só assistindo para sentir o que eu senti.

Não estranhem se me virem barbado, com camisa xadrez, fumando um charuto, usando chapéus de abas largas e com cara de poucos amigos, filmes me influenciam muito, principalmente os bons.

The Good, the bad and the ugly (1966)





quinta-feira, 10 de novembro de 2011

UFC de volta ao Rio

Após Dana White anunciar a luta pelo cinturão entre Anderson Silva e Chael Sonnen, hoje a organização do maior evento de MMA do planeta confirmou a volta do UFC à cidade maravilhosa no dia 14 de janeiro. Por não ser especialista no assunto, até por não gostar muito de lutas, eu trago essa semana o artigo que saiu a alguns minutos escrito pela redação do site da ESPNbrasil.

A organização do UFC confirmou nesta quinta-feira que o maior evento de lutas do mundo voltará ao Brasil em janeiro, novamente no Rio. A informação já circulava havia pelo menos um mês, mas faltava o anuncio oficial.

Junto da oficialização do evento, veio também a confirmação das lutas de quatro brasileiros. Como esperado, o evento principal serão duelo entre José Aldo e Chad Mendez, pelo cinturão dos pesos penas. Aldo não estava no card do primeiro evento realizado no Rio, em 27 de agosto deste ano. 

Outro brasileiro confirmado no evento é Vitor Belfort, que lutará pela primeira vez em sua cidade natal. O carioca terá pela frente o norte-americano Anthonty Johnson, em duelo válido pela categoria dos médios.

“Eu falei para os fãs que não demoraríamos a retornar para o Brasil. O impacto econômico do nosso primeiro evento no Rio foi enorme. UFC Rio teve o clima mais insano que eu já vi. Os fãs foram incríveis e o suporte da cidade do Rio de Janeiro fez do evento um grande sucesso”, disse o presidente do UFC, Dana White.



Além de José Aldo e Vitor Belfort, já tiveram suas lutas confirmadas Thiago Tavares e Edson Barboza, dois lutadores que estavam na primeira edição do UFC no Rio. Tavares terá pela frente o canadense Sam Stout, enquanto Barboza enfrentará o inglês Terry Etim.

José Aldo afirmou que será especial defender o título dos penas diante de sua torcida. “É uma emoção muito grande poder defender meu cinturão no Brasil. Já lutei algumas vezes aqui e estou bem tranquilo. Vai ser uma luta dura, mas já iniciei minha preparação e o importante é fazer o meu trabalho, como sempre fiz”, disse o lutador.

Para Vitor Belfort, o evento será igualmente especial. Nascido e criado no bairro do Leblon, o lutador não lutou no UFC Rio de agosto, mas agora poderá, enfim, estrear em casa. “A sensação é a de missão cumprida. Sempre batalhei e acreditei no meu esporte. Vai ser uma honra lutar no Rio de Janeiro com toda minha equipe. Realmente não dá para expressar essa felicidade”.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

para Francisco e para todos nós

Levando em consideração que literatura é a arte de compor escritos, de criar um texto, logo concluímos que um blog também é literatura. E quando esse blog vira livro então...

É o caso do blog/livro de hoje: para Francisco. 
Antes de dizer sobre o que "eles" falam, devo confessar que esse é um dos livros que me conquistaram pela capa. E eu segui o sentido inverso; conheci primeiro o livro para só depois visitar o blog.

Agora vamos à história. O blog surgiu como maneira de aliviar a dor da perda e de ser um ponto de referência para um filho ter a oportunidade de conhecer o pai. Explico. Guilherme Fraga morre dois meses antes do nascimento de seu único filho. Cristiana Guerra, então, se divide entre a tristeza de perder um grande amor e a alegria da maternidade, por estar carregando a maior herança e consolo que Guilherme poderia deixar: Francisco. A necessidade de lembrar para poder contar ao filho gerou o blog que comoveu amigos e internautas, e ganhou uma legião de fãs e mais de 3 mil seguidores - ele recebe mais de 2 mil visitas por dia. Resultado: acabou virando um livro.

“O livro eterniza os textos. 
É como se eu fechasse um ciclo e pudesse caminhar para a frente, 
olhar para o outro lado”


Tanto o blog quanto o livro contam histórias da Cris com o Gui (olha a intimidade), mostram cartas e e-mails trocados entre ambos. Mas também registram eventos da vida da autora/blogueira, fatos sua vida, família, desabafos, além de mensagens para alguém que ainda não tinha chegado ao mundo. De uma forma ou de outra, ela consegue tirar algumas lágrimas de quem ler os seus registros.

Hoje, com Francisco nascido (21 de março de 2007) e crescidinho, Cris Guerra utiliza o blog para registrar e compartilhar as "francisquices" do pequeno. Seu jeito moleque, fofo e até sedutor (segundo a própria mãe).

Cris e Gui
O blog
Francisco.
Hoje ele já está maior. Mas essa foto é a mais fofa de todas, então... 



Se você não clicou nos nomezinhos vermelhinhos lá em cima e quer conhecer os dois blogs da Cris, aí vai:
http://parafrancisco.blogspot.com/
http://www.hojevouassim.com.br/ (que fala sobre moda e estilo)

domingo, 6 de novembro de 2011

Eu não sei dizer o que quer dizer o que vou dizer

Como disse certa vez a uma garota a quem estava falando do meus sentimentos para com ela, isto o que tenho para dizer é ridículo. Sinto mais facilidade em falar sobre a dialética idealista de Hegel do que das coisas que se passam em meu coração, que tem mais reprises do que esperanças.
 
Eu amo você. Mas não sei o que isso quer dizer. Bora lá. São 03:35 da manhã. Tenho que acordar cedo amanhã (ou hoje, piada infame). Tenho que ir ao médico bem cedo. Mas não consigo dormir. Todo mundo passa por isso. Ou não, né? Tem gente que eu conheço que parece ser se sentir mais seguro se não deixar transparecer. Faz tempo que não sentia isso.

Estava conversando com o Tiago hoje mais cedo. Estávamos passando pelo mercado dos pinhões. Muito bom lá. Estava tocando Fagner. Era aquela, quando penso em você, fecho os olhos de saudade, tenho tido muita coisa, menos a felicidade. Ele comentou comigo, você vê né? O que seria da música se não fosse dor-de-cotovelo?

Dia desses estava conversando com outro amigo meu. Ele terminou com a namorada e veio conversar comigo. Disse que assim que se viu na fossa pensou em vir falar comigo. Afinal, eu sabia como era se sentir assim. Porra, esse cara não é o primeiro com dor-de-cotovelo que vem me pedir orientação. Porra velho, como assim? Será que ele pensou: deixa eu ver... alguém que tem experiência em ficar na fossa por causa de mulher... já sei... o Filipe! Como assim? Será que eu tenho cara cantor de brega de bordel?

Essa aqui é legal, a primeira vez que a ouvi foi naquele ótimo filme O Resgate do Soldado Ryan, Edith Piaf. Perfeita. Às vezes, a lembrança que me traz essa música me faz enveredar pela madrugada lembrando até do que não vivi, pensando em nós dois. Sabe, posso parecer como quem não passa sem um rabo de saia, mas eu tenho coração. Como já disse outra vez, tinjo-me de vadio, mas sou romântico. Romântico no sentido mais caricatural mesmo. Um romantismo bem próprio, admito. Minhas características mais utópicas são as que me definem como ser. Do modo mais caricatural possível, claro.

Eu disse, cara, ficar desse jeito é pior pra ti, esquece ela, cara. Pode deixar Filipe, eu sei ficar na minha, não deixo transparecer não, posso estar aqui na fossa por causa dela, mas não deixo ninguém saber que estou assim, sou duro na queda, ela não vai encontrar ninguém que a ame como eu a amo, ninguém sabe o quanto choro à noite, nem ela. Respondi: Tu é muito é burro cara, continua se martirizando, o que adianta se fingir de durão e ficar sentindo pena de si mesmo? Continua pior pra ti, do mesmo jeito, tá se fudendo do mesmo jeito. Tem que ir além, não ficar nessa coisa de ninguém sabe a dor que eu sinto, isso é muito é ladainha de quem não quer admitir a própria pequenez e futilidade. Ele: Eu não sou fútil. Geralmente só quem me entende quem é bem próximo a mim. E olhe lá, alguns concordam comigo por pura consideração que tem à amizade, creio eu. Não que eu espere que minhas idéias sejam difíceis de entender, mas que eu sei que elas vêm de um grande ressentimento para com o Ser Humano. Aí sim! Eu sei que nem todo mundo tende a depreciar tanto o Ser Humano, e por extensão, depreciar tanto a si mesmo por ser Humano. Essa é a base de toda a minha filosofia. Qualquer Ser Humano seria muito mais feliz se não tivesse nascido. E como bem disse Renato Russo, Tudo é dor e toda dor vem do desejo de não sentirmos dor.

Millôr Fernandes já disse certa vez, com propriedade: Três coisas incompreensíveis: gota d'água no mar, grito no meio da noite, dor no coração alheio.

Agora, saca só essa letra, porque, sinceramente, não quero colocar o vídeo.
Chora, me liga, implora
Meu beijo de novo
Me pede socorro
Quem sabe eu vou te salvar
Chora, me liga, implora
Pelo meu amor
Pede por favor
Quem sabe um dia eu volto a te procurar


Música boa é justamente aquela que serve como meio de comunicação entre a dor que o artista sente e o sentimento que você, que escuta, leva no peito. Mais ou menos como disse Mário Quintana, Porque, ao ouvir alguém que consegue expressar-se com toda a limpidez, nem sentimos que estamos ouvindo uma música, é como se a estivéssemos pensando.


Não sei por que, mas a maioria das músicas que gosto são de dor-de-cotovelo. Há uma espécie de entrega ridícula nas declarações desesperadas de amor. Às vezes nem sempre desesperadas, mas quase sempre ridículas; sim, pois por mais que seja sublime o sentimento que ainda se sente, é nada mais que uma esperança de reprise de um sentimento que já acabou; acabou sim, por que não existe mais relação a partir do momento que o sentimento se torna unilateral. A única coisa nobre a se fazer reconhecer a pequenez e mediocridade e, como fez o poeta, transformar toda essa merda em melodia.

Mas, como para toda afirmação, há uma crítica, há no mundo um sem-número de pessoas de se acham muito nobres, nobríssimas, por pensar que o amor que sente pelo ente perdido é algo que lhes faz especiais e únicas no mundo. Como uma espécie de últimos dos moicanos, ou alguém que é o ultimo dos transparentes nesses tempos de opacidade. Algo muito parecido quando alguém fala ninguém sabe o quando eu sofro. Ninguém sabe mesmo, afinal é uma coisa que só você sente; mas falar isso como motivo para dizer que ninguém é capaz de sentir o mesmo que você, isso já é sacanagem. Como se o valor do sentimento que tem é totalmente cooptado para o próprio bel-prazer do que para a pessoa que fez surgir esse sentimento. O sentimento que se sente é algo que a pessoa se orgulha de ter e acaba se tornando justificativa para uma auto-idolatria cheia de um lirismo de plástico.

Você é especial e único. Assim como todas as outras pessoas.

Não sei bem dizer, há qualquer coisa que nos une em matéria de sentimento, todas a pessoas sentem algo por alguma pessoa, mas não se deixar levar pelo egoísmo é algo que me admiro muito. Pra ser sincero, de todas as pessoas que conheci, só vi esse desapego pelo egoísmo em duas, que também não vale a pena dizer quem são, afinal, sou muito suspeito. Uma delas é a única mulher que foi realmente sincera comigo, e por casa dela foi que criei todo esse sistema filosófico do egoísmo de meia-tigela. Agora fica a questão... meia-tigela é o egoísmo ou o sistema filosófico?

Sim, porque não há como escapar das paixões, tanto da paixão que se sente por uma pessoa em especial, tanto quanto pela paixão que se sente por si mesmo. Sem falar nas paixões ideologias, que podem ser bem mais ferinas. Os regimes criminosos não foram feitos por criminosos mas por entusiastas convencidos de terem descoberto o único caminho para o paraíso. Defendiam corajosamente esse caminho, executando, por isso, centenas de pessoas. Mais tarde ficou claro como o dia que o paraíso não existia e que, portanto, os entusiastas eram assassinos. Algo muito parecido com as pessoas que matam por amor, ou então as que matam a si mesmas. Que final romântico: morrer de amor.

Mas o que há de sublime nisso tudo é justamente dizer-se egoísta, dizer que meu sentimento que tenho por você não vai fazer você mais feliz, talvez até sinta-se um tanto desprezo por saber que nutro um sentimento impossível, que é sem sal o sentimento que nos é dirigido sem que sintamos algo reciprocamente, não, não vai fazer-lhe feliz, mas o melhor de tudo, vai me fazer feliz.

Certa vez, estava com uma menina. Até gostava dela. Mas não tanto para deixar de abraçar minhas amigas mais chegadas. Cheia de ciúme, ela falou você não tem medo de me perder? Egoísta todo mundo é, mas algumas pessoas parecem que se esforçam. Todo mundo um dia se perde, faz parte da vida, perder e às vezes encontrar; mas se você acha que meu sentimento por você resume-se ao fato que me importo unicamente por você, está totalmente enganada.

Como de costume à maioria das pessoas com quem converso, ela não entendeu. Foi embora pensando que não ligava a mínima por ela.Eu gostava dela, muito até. Quem é muito egoísta tem esse defeito, quer todas as partes para si. Se estiver faltando uma parte, acha que não tem nada. Somos, sejamos,egoístas, mas para si mesmos, não vamos terceirizar nosso ego, ok?

O amor é uma espécie de preconceito. A gente ama o que precisa, ama o que faz sentir bem, ama o que é conveniente. Como pode dizer que ama uma pessoa quando há dez mil outras no mundo que você amaria mais se conhecesse? Mas a gente nunca conhece.

Por isso digo: Eterna Bem-Amada, nessa insônia a que me cabe, deve estar a dormir agora, quem sabe com outro, mas isso já não mais me cabe, deixo que me invada só você o meu pensamento, pois só desse modo você pode falar no meu ouvido coisas que me fazem fechar os olhos. Para amanhã eu sair pelos bares e olhar para as saias, coloridas pelo sol.

Aposto que não vai se importar.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Rostos Pintados

Andy Alcala é um fotógrafo contemporâneo, que fez um seção de fotos que considero interessante. 
A ideia era retratar no rosto de um garoto pinturas conhecidas e arte que caminham entre o universo pop e o expressionismo.



Andy Warhol

Não só Pop Art, mas também Magritte, entra também no universo do fotógrafo





E o Clássico 'O Grito'






aqui está o flickr do rapaz: http://www.flickr.com/photos/26375062@N06

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Tem gosto pra tudo e tem pra todos os gostos

Depois de um outubro agitado, novembro também chega trazendo muitos eventos legais. E torçamos para que dezembro ajude a fechar o ano com chave de ouro!
Vocês já devem ter lido ontem, na nota de esclarecimento publicada pelo nosso companheiro Thiago Nobre, mais conhecido como Preto, que a partir do dia 14 de novembro nós faremos o que chamamos de "viradinha" e as coisas por aqui vão ficar de pernas pro ar. Por isso, trago reunidos hoje quatro grandes eventos que acontecerão durante o mês de novembro em Fortaleza: Festival Ponto.CE, Recicla Nordeste, 6ª Mostra Cinema e Direitos Humanos e Manifesta! Festival das Artes.

Este ano, o Festival Ponto.CE acontece entre os dias 03 e 06 de novembro e traz música, dança e audiovisual. A programação do festival conta com uma parte da programação gratuita de mostras de bandas e de filmes, que acontecerão no Centro Cultural Banco do Nordeste, e de espetáculos de dança que se apresentarão no Teatro Boca Rica, na Praça Verde e no Anfiteatro do Dragão do Mar. Também haverá shows nas noites dos dias 04 e 05 na Praça Verde do Dragão do Mar, onde tocam as bandas Móveis Coloniais de Acaju (04) e Mundo Livre S/A (05). Os ingressos custam R$ 20 e R$ 10 (meia).
Confira a programação completa e mais informações aqui: http://pontoce.com.br/programacao/


Enquanto isso, o Recicla Nordeste atende a outros gostos também durante esta semana. Entre os dias 03 e 05 o evento acontece no Centro de Convenções do Ceará, das 14h às 20h. Quem se interessa pelo desenvolvimento sustentável pode assistir palestras, seminários e participar de oficinas e minicursos que acontecerão dentro da programação do evento. No site do Recicla Nordeste você pode conferir os temas das palestras e de outras atividades, como os estandes de exposição, cursos e oficinas e a Mostra de Ecoarte Cultura, por exemplo.
Mais informações aqui: http://www.reciclanordeste.com.br/ 




A 6ª Mostra Cinema e Direitos Humanos começa no dia 10 de outubro e vai até o dia 01 de dezembro. Este ano, o evento acontecerá nas 27 capitais brasileiras, oferecendo mostras de filmes que abordam os direitos humanos do Norte ao Sul do país. Os filmes selecionados tratarão de Direitos de Crianças e Adolescentes, do Direito à Terra, da Cidadania LGBT, da Educação em Direitos Humanos, Democracia, das Populações Tradicionais, Quilombolas e Afrodescendentes, das Pessoas Idosas, da Saúde Mental e Combate à Tortura, das Pessoas com Deficiência, Migrantes e do Direito à Memória e à Verdade, etc.
A Mostra Cinema e Direitos Humanos estará em Fortaleza durante os dias 08 e 14 de novembro, com exibições de filmes inclusive aos domingos, no Cine Benjamin Abrahão, na Avenida da Universidade.
Os detalhes da programação e os nomes dos filmes que serão exibidos podem ser vistos aqui: http://www.cinedireitoshumanos.org.br/2011/html/cidade_fortaleza.html



Por último, mas não menos importante: o II Manifesta! Festival das Artes acontecerá do dia 12 ao dia 19 de novembro. O 1º Manifesta aconteceu no ano passado, no Theatro José de Alencar, inspirado no Massafeira Livre, realizado em 1979 também no TJA. A proposta do festival é abrir caminhos e possibilidades para as manifestações culturais coletivas e dar espaço para músicos, performers, dançarinos, atores, poetas, etc., mostrarem seu trabalho para mais pessoas. O artista plástico cearense Zé Tarcísio será o homenageado deste ano. 





P.S.: Lembrando que na semana que vem esta seção não será publicada devido às mudanças ocorridas no blog. Estarei de volta no dia 15, para a viradinha!